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Vendo a banda passar

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  13 anos sem Erasmo Tostes Antes da retreta, um dedo de prosa com Erasmo Tostes, o cronista da cidade. Foi uma manhã diferente a que vivi hoje cedo, em Miracema. Dando um trato na saudade, fui ver de perto a Banda Sete tocar na praça. O que vi — e ouvi atentamente — me deixou feliz e certo de que a tradição está mantida. E o povo, apesar de ainda tímido nos aplausos, aos poucos volta a se aproximar do velho hábito de ouvir a banda na praça. Enquanto esperava a retreta da Banda Sete, tive um dedo de prosa com Erasmo Tostes, grande contador de histórias e apaixonado pelos dobrados. Houve também uma pequena pausa para falar de futebol, da boa vitória do Botafogo sobre o Atlético Mineiro na noite anterior, e alguns momentos de aprendizado na companhia de João Carlos Duarte. Para ouvir a banda tocar, preferi a agradável companhia de Cremilda Tostes. E a rápida passagem de Armandinho, presidente da Câmara de Vereadores, me deu a oportunidade de lhe entregar meu artigo sobre os nomes das...

Eu, Júlio e Gutinho

  Histórias de Miracema neste Dia do Amigo Agora há pouco, estava na minha poltrona favorita, mesmo com o intenso calor que faz em Campos, assistindo ao show que marcou os cinquenta anos de estrada de Erasmo Carlos. Em determinado momento, entrou no palco o velho amigo e irmão do Tremendão: o espetacular Roberto Carlos. Ao ver o ídolo chorar, confesso que duas ou três lágrimas também desceram por este rosto já cansado de tantas emoções e de alguns detalhes a mais. Não há vergonha alguma em um homem chorar, abraçar ou beijar um amigo, como fizeram os dois no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, diante de uma seleta plateia. Voltei no tempo, como sempre acontece nesses momentos de emoção, e me vi novamente na Praça Ary Parreiras, lá na terrinha, ao lado dos meus grandes amigos e irmãos Júlio Barros e José Augusto Botelho. Formávamos um trio inseparável: nas peladas da rua, nos piques com a turma da Prefeitura, nos jogos inesquecíveis do time do Bitico e, por que não, nas ...

Os hinos da polêmica

  Há hinos e hinos Vejo muitos cronistas, técnicos, torcedores e até jogadores elogiando a forma como franceses, portugueses e argentinos cantam seus hinos nacionais. Gritam, choram, estufam o peito e demonstram uma emoção contagiante. Os mesmos, porém, costumam criticar nossos jogadores e até nossa torcida por, muitas vezes, não cantarem o Hino Nacional Brasileiro com a mesma intensidade. Tenho uma opinião sobre isso. O nosso hino é diferente. É um hino de paz, que exalta a beleza do país, a natureza, a liberdade e a esperança. Tem uma melodia mais longa, solene e contemplativa. Já os hinos da França, de Portugal e da Argentina nasceram em contextos de guerras, lutas por independência ou conflitos. Suas letras evocam batalhas, sangue derramado, resistência e conquista. Naturalmente, a forma de cantá-los acaba transmitindo um sentimento mais explosivo e guerreiro. É como comparar uma marchinha de carnaval com um bolero apaixonado. Ambos emocionam, mas despertam emoções difere...

Poeta, eu?

 Hoje eu queria ser poeta. Não o contador de histórias, não o cronista das esquinas da vida. Queria vestir a pele de Bilac, passear pelos versos como quem passeia por um jardim. Queria ter a sensibilidade de Chico — não o Anysio do humor inteligente, mas o Buarque das canções que falam baixinho ao coração. Sou dado ao riso, à ironia e às observações do cotidiano, mas hoje queria ser romântico como Roberto Carlos, simples e profundo como Caymmi, deixando que as palavras navegassem mansas, ao sabor da emoção. Hoje não quero falar de futebol. Não vou lembrar escalações, resultados ou histórias de Copa do Mundo. Não quero ser Saldanha, nem o João Saldanha de opiniões firmes e certeiras. Não quero ter a palavra fácil de tantos mestres da crônica esportiva. Se pudesse escolher, sentaria ao lado de Cury e Waldir, ídolos de uma juventude sonhadora que ainda mora em mim. Hoje eu não queria ser locutor. Queria ser o compositor. Queria ser Milton, Gonzaga, Gonzaguinha. Queria transformar sent...

Falando de Miracema

  As vezes, no Armazém onde tomo minhas cervejas, às sextas-feiras, me pego falando de Miracema, a minha terra natal, e, de vez em quando, encontro um que passou por lá, trabalhando ou visitando amigos ou familiares, e a prosa fica melhor ainda, e, nesta última semana, um parceiro,  que eu acreditava ser um  desconhecido por mim mas amigo do Lenílson, me ouviu falar da "terrinha" e sentou à mesa para prosear comigo.  Foi um grande prazer, mas confesso que foi frustrante ter que concordar com o moço das vendas e que passava por lá de quinze em quinze dias e tinha uma clientela forte e certa. - Se naquele tempo tivesse a tal de Internet eu não ficaria feliz, meus amigos, hoje, tiram pedidos pelo celular ou por e-mail, eu viajava feliz por ter que ir a Miracema e ver as meninas bonitas da cidade que saiam do colégio transformando aquela que vocês chamam de Rua Direita, em um palco de desfile de misses.  Realmente, o moço tem razão, era mesmo um espetáculo, pena que...

A playlist do Armazém

  A  E o que toca por aqui? Tem “Qui Nem Jiló”, em nova roupagem com Gilberto Gil. Tem “Conversa de Botequim”, do genial Noel Rosa, na voz de Teresa Cristina, acompanhada de um violão que fala por si só. Só voz e cordas... e mais nada. Uma viagem no tempo. Como disse meu amigo Augusto Cardoso, médico com alma de violonista: "Esse violão me fez lembrar do Farofinha." E quem conheceu Farofinha sabe exatamente do que ele falava. Foi o acompanhante maior dos seresteiros de Miracema. Seu violão não apenas tocava — conversava, sorria, emocionava. Depois vem Claudette Soares, brilhante em “O Cravo Brigou com a Rosa”. Elis Regina aparece com “Andança”. Djavan retorna em “Sina”, ao lado de Caetano Veloso. Seu Jorge dá nova vida a “Canto de Ossanha”. E até Mart’nália — que confesso demorei a entender, mas hoje admiro profundamente — surge com sua deliciosa versão de “Menino do Rio”. E, para fechar, nada menos que “Sonho Meu”, na voz doce e eterna de Dona Ivone Lara. As próximas playlis...

Mesa de bar

  Ontem comentei aqui sobre um verdadeiro papo de botequim, analisando a letra de “Preciso Ir” , do grande Candeia. Logo depois, recebi do amigo José Luiz da Silva, nosso eterno Categoria, uma sugestão daquelas que merecem atenção: ouvir “Mesa de Bar” , do inesquecível Gonzaguinha. Confesso que não conhecia nem a música nem a letra. Mas bastou ouvi-la pela primeira vez, ali mesmo, naquele instante, para ficar impressionado. Afinal, estamos falando de Gonzaguinha, um compositor romântico, cronista da vida e contador de histórias que transformou sentimentos em canções que marcaram época. E impressiona pensar que, mesmo passados 36 anos de sua partida, suas músicas continuam vivas, presentes nas playlists de fãs espalhados por este Brasil afora. A letra de “Mesa de Bar” narra, com perfeição, um legítimo papo de botequim — daqueles que vivemos nas sextas-feiras no Armazém, ou nas famosas segundas sem lei do Para Raio’s Bar, ali debaixo das arquibancadas do Arizão, aqui em Campos dos G...