Saudade da mana Eliane
Minha mana Eliane faz uma falta danada, principalmente nestes momentos em que tento escrever as memórias da minha vida em nossa Miracema. Se sei alguma coisa e me lembro de tantas outras, é porque sempre havia a prosa com ela — sobretudo depois que nos mudamos para Campos, em 1985.
Entre uma cerveja e outra, ela adorava bebericar comigo um vinho ou uma cerva. E quando chegava no ponto, soltava os causos, descrevendo tim-tim por tim-tim. Como este, do famoso Neca Solão:
Histórias assim eram o tempero das nossas conversas. E Eliane tinha um talento especial para narrar, como quando contava o namoro de Paraoquena com a Perereca (apelido de uma das personagens daquele pedaço da cidade). Segundo ela, os dois namoravam, bem quente, na grama ao lado da Prefeitura — justamente em frente à janela do quarto dela.
As memórias da minha irmã são praticamente as de toda uma geração de moças e rapazes que frequentaram o Colégio Miracemense, o Aero Clube, os bailes no Ferreira da Luz. Eu guardei alguns desses momentos, outros copiei dela. Como dizia Eliane:
“Lembrar daquela Miracema é lembrar do Colégio Miracemense, que hoje virou Instituto de Educação de Miracema; é lembrar do Seu Álvaro Lontra limpando o salão para o baile; do Carlos Lontra com sua chuva de cangalhas; do Seu Manoel Soutinho e Dona Maria do Carmo — como eu penava para solfejar!”
É lembrar também do Grêmio Litero Esportivo Rui Barbosa, da Federação dos Estudantes de Miracema, com Lalado na presidência defendendo os direitos dos estudantes, lá nos anos 60.
E então, sou ou não um privilegiado por ter uma irmã cuja memória era fantástica e que me ensinou a guardar, em cada espaço do cérebro, um pedacinho da nossa história?
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