Um dia de sol na Rua Direita
Primeiro de maio inesquecível
Permita-me, caro seguidor, usar a primeira pessoa neste comentário do blog. Permita-me falar do meu pessoal, porque ontem foi um dia especial — daqueles que só se vivem uma vez por ano, ou talvez uma vez por década. Um dia para ficar gravado para sempre e ser contado, como já o fiz no final da noite, a amigos e familiares.
O dia começou nublado, com perspectivas de chuva intermitente. A expectativa de assistir ao desfile cívico-militar em homenagem aos 79 anos de emancipação da minha Miracema parecia caminhar para um fracasso retumbante.
Mas bastou que a maviosa Sete de Setembro, centenária agremiação musical da cidade — da qual tive o prazer e o orgulho de ser um de seus músicos em décadas passadas — entrasse na Rua Direita para que o sol aparecesse, abrisse um sorriso no céu e iluminasse o caminho. Assim, alunos, professores, amigos da cidade e os militares do nosso Tiro de Guerra desfilaram garbosamente pela principal rua de Miracema.
Em um evento aguardado por muitos — principalmente por este que vos fala — e realizado em clima de harmonia e simplicidade, antigos amigos de todas as gerações da cidade se reuniram na Barraca do Bode, no recinto da Exposição Agropecuária. Ali aconteceu uma confraternização que arrancou lágrimas, provocou sorrisos, tirou histórias do fundo do baú e reuniu um punhado de miracemenses ausentes. A festa, organizada por Hércules Padilha e Marista Felix, acabou se transformando no grande momento das comemorações da nossa Miracema.
E pensam que acabou? Nada disso.
Mais emoções estavam reservadas para a noite, no Clube XV, em seu salão de festas, onde a Câmara de Vereadores realizou as tradicionais homenagens anuais: entrega de títulos de cidadania a diversos amigos da cidade e também a alguns forasteiros — no melhor sentido da palavra — que aqui aportaram para construir suas vidas. Houve ainda homenagens às personalidades do ano e a entrega das comendas, entre elas a recém-criada Comenda Dirceu Cardoso, outorgada ao jornalista José Maria de Aquino, miracemense de fé e orgulho.
Zé Maria me deu a honra de representá-lo, devido à impossibilidade de comparecer.
Seu discurso, que tive o privilégio de ler, ganhou ainda mais significado graças à deferência especial do presidente da Câmara, Maurício Santana, que quebrou o protocolo e permitiu-me usar da palavra em nome do homenageado. As palavras do veterano jornalista ecoaram pelo salão, sobretudo quando ele citou personagens queridos da cidade, como neste trecho que escolhi para encerrar nosso papo neste sábado gostoso que começa por aqui:
"Visitar o Colégio Miracemense. Conhecer as cachoeiras do Conde, que ouviam como sendo iguais às Cataratas do Iguaçu. Ver o rio Santo Antônio, muito maior e mais bonito que o Tietê. Quase igual ao Amazonas. Saborear os bifes de pernil feitos pelo Farid, melhores que os de qualquer restaurante paulista. Pelo menos saber quem foram dona Iraca, Maria Batuquinha, Nestorina — a disputada oradora dos antigos comícios — Briguela e tantos outros. Saber que nenhum goleiro foi mais seguro que Dizim, nenhum mais elegante que Damasceno. Ouvir por outras vozes que Lauro Carvalho, colega de ginásio, era craque para a seleção brasileira. Histórias que cansaram de ouvir — porque repetir histórias é a melhor maneira de encurtar ao máximo as distâncias físicas."

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