Andando pela cidade

 Pra dizer boa noite…

Chuva fina caindo.

Um frio gostoso chegando com o mês de novembro.

Hoje, Dia de Finados.

Dia de reverenciar amigos e parentes que viraram estrelas — lá no alto, num céu que eu gosto de imaginar azul, bonito… e cheio de paz.

Que estejam ao lado do Criador, olhando por nós… e, quem sabe, entendendo melhor do que ninguém o que anda acontecendo por aqui, nesta nossa terra tão amada — e tantas vezes abandonada por quem deveria cuidar dela.

Hoje é dia de lembrar.

De homenagear.

De sentir.

Penso em tantos que marcaram minha vida.

Nem vou citar meus avós, meus pais… nem minha mana Eliane — a quem devo tanto, tanto, que qualquer palavra seria pouco diante do que fizeram por mim.

Mas quero fazer uma volta no tempo.

Quero reverenciar meu ídolo, Errmegildo Sollon.

Partiu no ano passado.

Levado pela idade… e pela teimosia bonita de quem não abre mão de sair andando por aí, sem compromisso, “tal e coisa”, como ele mesmo dizia.

Veio a tal da Covid… e o levou para junto do Pai.

E sabe por que lembrei do velho Guru?

Não foi só por causa de Finados.

Foi por uma notícia que chegou de Miracema, na semana passada:

o fechamento de um dos ícones da cidade.

A Casa Nova.

O Bazar Leader.

A Leader Magazine.

Ou simplesmente… a Leader.

Nomes diferentes para a mesma história.

Setenta anos de presença.

E agora… saudade.

Um dia — já contei isso por aqui — fui com o Ermê até Miracema.

E o homem desabou.

Chorava sem parar.

Daqueles choros que os jornalistas chamam de “copiosos” — palavra bonita, mas que, no fundo, só quer dizer isso: um choro que não cabe no peito.

Quando chegamos ao Jardim, ele foi anotando, mentalmente, tudo o que já não estava mais ali.

— Hotel Assis? Não tem mais.

— O Correio… mudou, e a casa antiga sumiu.

— O Bar Pracinha virou supermercado.

— O Vavate… fechando as portas.

— Aquela esquina bonita… acabou.

E ele seguia…

— Cadê a Samaritana?

— Cadê os bancos?

— Onde está o Bar Leader?

— E a comida do Angeludo?

— O Farid se foi… mas ninguém fez nada pra lembrar o “matador de fome” da turma.

E assim foi.

Uma lista de ausências.

Uma coleção de saudades.

Até que chegamos em frente à Prefeitura.

Ali, perto do antigo reduto do Vicente Dutra.

E foi ali… que nós dois desabamos.

Porque não era só a cidade que tinha mudado.

Faltava um pedaço da gente ali.

Faltava o assovio do Vovô Vicente.

Faltava o movimento do Fórum.

Faltava vida.

O prédio da Prefeitura, vazio naquela época, parecia traduzir tudo.

Hoje dizem que foi recuperado… eu ainda não vi.

E o velho Sollon… já não verá.

Pois é, meu caro Sollon…

De onde você estiver, fica o recado daqui de baixo:

A Casa Nova — do seu zagueiro preferido, Newton da Casa Nova — também se foi.

Já não existe mais. Nem como Leader… nem como lembrança viva de portas abertas.

Ficou só a memória.

Um abraço, velho amigo.

E… até breve.

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