Geao - O baile de uma vida
Vamos bailar?
Pra melhor identificar o título, explico: As músicas do GEAO, nome da coluna, nasce como uma saudosa reverência ao Grêmio Estudantil Alberto de Oliveira — o nosso eterno Grêmio. Era lá que os sábados ganhavam vida, em bailinhos inesquecíveis movidos a toca-fitas, com repertório eclético, escolhido a dedo — dedo de ouro — por Gilson Coimbra e sua turma (e, com orgulho, eu me incluo nela).
Foram esses encontros que fizeram uma geração inteira sonhar dançando. A semana parecia mais longa só pela expectativa de chegar o sábado, o feriado, as férias… qualquer desculpa era válida para viver intensamente aquelas três horas mágicas, religiosamente permitidas pela direção.
E, verdade seja dita, nem era preciso escolher música. Nossa geração foi presenteada com artistas extraordinários, canções que resistiram ao tempo e continuam ecoando por aí — e, mais ainda, dentro da gente. Cada um tinha sua preferência, claro, mas o Gilson… ah, o Gilson parecia ler pensamento. Sabia exatamente a sequência perfeita, encaixava tudo no gravador Akai e deixava o rolo de fita nos entregar aquilo que, no fundo, todos queríamos ouvir.
Tinha a Czardas, com Os Incríveis, e lá ia o Adilson Penacho riscando o salão — eu mesmo escolhia a “dama” e mandava ver no pé. E quando tocava The Mamas & the Papas com “Monday, Monday”… ah, a famosa paradinha! Cinco segundos de suspense, casais se soltando, e o Mauro Alves da Cruz só esperando pra cair na gargalhada quando o som voltava. Cena clássica. Quem viveu, sabe.
Não podia faltar Wilson Simonal, pura explosão de alegria. “Sá Marina” e tantos outros sucessos dominavam a pista. Jorge Ben Jor ainda era “Jorge Ben” e já fazia todo mundo se render com “Zazueira”. E quando entrava Sérgio Mendes & Brasil 66… pronto, era pista cheia, casais grudados, ritmo diferente no ar.
E tinha mais: The Beatles com “Help!” e tantos outros hinos; Trini Lopez com “Granada” e “El Reloj”, trazendo aquele tempero latino irresistível. E as italianas… “Dio, Come Ti Amo”, “Canzone per Te”, “Una lacrima sul viso” — músicas que deixavam meninos e meninas em estado de sonho, alguns já ensaiando, em pensamento, um futuro casamento.
As americanas também estavam com tudo: “See You in September”, “Sugar Sugar”, “My Sentimental Friend”… tudo se misturava com Paulo Diniz cantando “Quero Voltar pra Bahia” — e, entre uma música e outra, um chope pra distrair e dar coragem.
Eu poderia ficar aqui horas, dias, relembrando cada uma das centenas de músicas que embalaram o repertório do Grêmio. Tenho todas guardadas numa playlist com “apenas” 948 canções — que tocam por mais de dois dias sem parar… e ainda assim deixam saudade, porque outras mil continuam pedindo passagem nesse infinito chamado memória.

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