Um brinde especial

 

Capítulo 3: O Brinde com o Mestre Armando Nogueira.


A segunda oportunidade que tive de dividir a mesa com grandes personagens do jornalismo nacional foi em São Paulo, num restaurante famoso na região dos Jardins. Fui levado por José Maria de Aquino após um dos programas da tarde no Sportv, comandado por Cléber Machado.

Foi neste dia que tive o imenso prazer de me sentar ao lado do grande Armando Nogueira, o mestre dos mestres do jornalismo brasileiro. Em certo momento, ele fez-me o convite para um vinho. Olhei para o Zé Maria, como quem pede aprovação. Ele acenou positivamente e eu, claro, aceitei. Só recusei a escolha do rótulo; eu não conhecia nada sobre o assunto e deixei a decisão com ele, um enólogo refinado e profundo conhecedor das melhores marcas mundiais.

Enquanto os "globais" discutiam as pautas da reunião, eu permaneci calado, apenas observando, até que Armando Nogueira se dirigiu a mim: — Você é amigo do Eduardo Viana? Respondi que não — e não era mesmo; para mim, era apenas mais um dirigente nas minhas pautas de entrevistas. — Então vamos brindar à nova amizade! Tinto ou branco? — perguntou ele.

Aí resolvi dar uma de entendido e, por sorte, acertei em cheio: — Com este tipo de carne, é melhor um tinto, certo, Seu Armando?

Levei uma bronca imediata, mas carregada de elegância. Não pela escolha do vinho, mas pelo "Seu". Ele, educadamente, disse-me que estávamos entre amigos e que, dali em diante, seria simplesmente Armando. A conversa foi longa e, depois do vinho, fiquei mais falante. Ouvi, falei, ri e, no final, a história repetiu-se: quem pagou a conta, novamente, foi a Globo.

Relatos de uma vida à beira do gramado.

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