Chuva... futebol e reencontros


Sábado de chuva intensa e frio fora de época. Calço o tênis, ajusto o boné e deixo o celular em casa — não quero interrupções nas minhas andanças pelo centro em busca de um novo tema para prosear aqui, no “Papo de Bola”.

Com o amigo Chiquinho Barão 
Caminho pelas ruas, viro esquinas, mas nada: ninguém comenta, ninguém opina sobre o velho e querido esporte bretão. O assunto dominante é política. E eu, que saí arriscando um resfriado, paro no Bar Central e encontro meu amigo Ricardo, ainda se recuperando de um problema coronário. Ele tenta falar do Botafogo, o Fogão que tantas vezes nos deixou, torcedores rubro-negros, encostados ao balcão, chorando mágoas e brindando vitórias alvinegras.

Tenho saudades do Ricardo, e também do Glorioso. Já me deu raiva, é verdade, mas quando suas feras vestiam a camisa da seleção, a felicidade estampava o rosto de qualquer brasileiro. Hoje, porém, até os mais apaixonados preferem discutir política.

Dou razão a essa turma: a fase ruim do futebol carioca afasta o papo de bola. Mas sei que, quando a maré virar, não haverá Lula, Ciro, Serra ou Garotinho que suplantem o amor pelo futebol, sobretudo pelo Campeonato Brasileiro, que já ocupa espaço maior que os estaduais de outrora.

Ricardo lembra com nostalgia do tempo em que o Bar Central fervia com discussões e apostas. “Se apostava até em quem cederia o primeiro lateral”, diz. Hoje, com dinheiro curto e emoção escassa, o futebol já não mexe conosco.

Mais adiante encontro Di Breu, flamenguista e ex-jogador. Sua bronca resume tudo: “A gente fica plantado em frente à tevê e espera, espera... e nada”. É a dura realidade do futebol no Rio: vazio, sem brilho.

Com o sábado perdido, volto para a casa do cunhado Arthur — e lá está o Botafogo outra vez. Sentamos à mesa, proseamos sobre futebol e, como sempre, o clássico Fogão x Mengão termina empatado. Depois, uma soneca e mais uma pelada na tevê. Afinal, ninguém é de ferro, e o futebol, mesmo em crise, continua parte da nossa vida.

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