De volta ao passado
De volta ao passado
Há dois anos, em Vila da Serra, Minas Gerais, fui convidado para um bailinho de carnaval. Claro que aceitei — minhas netas pediram, e pedido de neta não se recusa. Fomos nós: eu, Marina e, até certo ponto, a Gisele, que também viveu bons carnavais lá na minha Miracema.
A promessa era tentadora: um autêntico carnaval de rua, com bloquinhos desfilando por uma avenida enfeitada de confetes e serpentinas. Coisa de fazer o coração bater no compasso da marchinha.
Veio então a dúvida inevitável: que fantasia vestir?
Depois de muito pensar, resolvi simplificar. Escolhi uma camiseta verde com uma frase que carrega um mundo inteiro pra mim: “Ferradurão / Campo do América / Municipal & Carrapichão”. Pronto. Era o suficiente. Mais do que fantasia, era memória vestida no peito.
Assim saí para curtir o sábado de carnaval em Belo Horizonte — cidade que ainda mantém vivo o carnaval de rua e, dizem, até o de salão. Esse eu deixo para conferir no domingo… e depois conto.
Hoje quero cantar A Jardineira, procurar de perto a Cabeleira do Zezé e sair Sassaricando por alguma rua qualquer de BH. Sem Máscara Negra, mas com a esperança de encontrar uma boa Turma do Funil, daquelas que puxa um Abre Alas e arrasta a gente atrás do bloco, como manda a tradição.
Afinal, já dizia a máxima: só não vai atrás do trio elétrico quem já morreu. E eu, graças a Deus, sigo bem vivo. Correto?
Mas me diga: alguém viu a Aurora por aí?
A Chiquita Bacana já avisou que não vai chover, embora um sujeito fantasiado de pirata — desses de “pirata de pau” — insista em gritar “Tomara que chova!”. Tomara que esteja errado, porque quero seguir o conselho da Gisele:
— Pai, vai com jeito… com jeito vai.
E eu vou.
Vou brincar até quarta-feira.
Agora, resta saber: será que aguento?

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