Dona Perciliana - A Pioneira



                   Os Meninos de Dona Perciliana 

Na praia de Atafona, entre o som das ondas e a brisa salgada, a conversa com Pedrinho Pauzinho me levou de volta à Miracema dos anos 70. Falávamos de Dona Perciliana, senhora apaixonada pelo futebol, que mantinha um time de garotos nos fundos do Campo do América.

As traves eram de bambu, frágeis, e não podiam ser acertadas. Cada chute errado era trabalho dobrado para a dona do campo. Mas nada disso diminuía a alegria das peladas. Ao contrário, fazia parte da magia.

Depois dos jogos, vinha o ritual dos lanches. Com moedas recolhidas dos meninos — dez, vinte, cinquenta centavos — Dona Perciliana preparava bolos, biscoitos e sucos. Era mais que alimento: era afeto transformado em sabor.

Lembrei também de outros apaixonados pelo futebol que a cidade esqueceu: Carminho, descobridor de talentos; Botão, organizador incansável de jogos; Chiquinho Maracanã, dono do fabuloso Rink; Edson Barros, que montou um Vasquinho juvenil quase imbatível.

E, por fim, recordei Bitico, Alberto Cid Carvalho, craque que ensinou os primeiros passos a uma geração inteira. Para nós, foi ídolo, mestre e inspiração.

Essas histórias não são apenas lembranças. São patrimônio. São o retrato de uma cidade que respirava futebol e que, através de seus apaixonados, transformava cada jogo em celebração da vida.                                                                                           

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Miracema em nós

A mesma praça?

Encontro de velhos camaradas