E na varanda... uma Sonata

                       Os Bailes de Varanda

Sei lá… acho que já se vão cinquenta anos — ou mais — daqueles bailes nas varandas das nossas casas, lá na Terrinha.

Os garotos de ontem já são avôs, com netos quase na idade que tínhamos naquela época. E o som que ouvíamos… hoje já não cai tão bem no gosto da moçada moderna.

Uma sonata — que ainda deve existir por aí, guardada em alguma memória — resolvia a noite.

E os compactos, simples ou duplos, ou os LPs garantiam duas ou três horas de dança… sem maldade, sem culpa.

Às vezes, rolava um rostinho colado.

E só.

Tempo de felicidade pura.

De simplicidade.

De música boa embalando nossas reuniões.

A nossa varanda, na casa em frente à Prefeitura, era uma das preferidas da turma.

Ali perto, na casa do Seu Neném Braga, era outro ponto certo.

Mais abaixo, o Seu Noqueta também abria espaço para os bailinhos, que viraram febre na cidade.

Em todos os bairros, era comum receber um convite:

“Vamos dançar lá em casa?”

E lá íamos nós, ao som de Trini Lopez, com suas guarânias, como La Bamba, e aquele “charará, lá com dá…” que ninguém sabia direito como terminava — mas todo mundo cantava.

Depois vieram os grêmios.

No Miracemense, o GLERB (Grêmio Lítero Esportivo Rui Barbosa).

No Nossa Senhora, o GEAO (Grêmio Estudantil Alberto de Oliveira).

E os sábados nunca mais foram os mesmos.

Os salões nobres foram liberados…

e a juventude do fim dos anos sessenta ganhou um novo palco.

Era som pra todo lado:

Wilson Simonal, The Carpenters, The Beatles, Roberto Carlos, Os Incríveis, Creedence Clearwater Revival, The Mamas & the Papas…

E, como diria mais tarde o Roupa Nova, tudo ao som de Johnny Rivers — numa boa, sem “on the rocks”…

mas com um Cuba Libre escondidinho, só pra dar coragem aos mais tímidos.

Os anos setenta chegaram trazendo novidades.

Danças mais soltas, mais ousadas, como ensinava Tony Tornado com sua BR-3.

E então surgiu a Cabana do Clube XV:

luz negra, gim-tônica pra dar um ar sofisticado — meio metido a besta —

uma cervejinha no ponto…

e mais rock and roll do que as antigas canções do Roberto.

A Bossa Nova, que embalou tantos bailinhos, já se despedia.

E o samba-canção de Jamelão virava coisa de seresta.

Belos anos.

Belas tardes.

Belos tempos.

E hoje… nesse tempo novo, tão diferente — e às vezes tão duro —

a gente se sente privilegiado quando o YouTube nos oferece, a qualquer momento, aquelas músicas dos anos sessenta…

…pra gente dançar de novo,

ou simplesmente fechar os olhos e lembrar

Bailes de Varanda

Sei lá… acho que já se vão cinquenta anos — ou mais — daqueles bailes nas varandas das nossas casas, lá na Terrinha.

Os garotos de ontem já são avôs, com netos quase na idade que tínhamos naquela época. E o som que ouvíamos… hoje já não cai tão bem no gosto da moçada moderna.

Uma sonata — que ainda deve existir por aí, guardada em alguma memória — resolvia a noite.

E os compactos, simples ou duplos, ou os LPs garantiam duas ou três horas de dança… sem maldade, sem culpa.

Às vezes, rolava um rostinho colado.

E só.

Tempo de felicidade pura.

De simplicidade.

De música boa embalando nossas reuniões.

A nossa varanda, na casa em frente à Prefeitura, era uma das preferidas da turma.

Ali perto, na casa do Seu Neném Braga, era outro ponto certo.

Mais abaixo, o Seu Noqueta também abria espaço para os bailinhos, que viraram febre na cidade.

Em todos os bairros, era comum receber um convite:

“Vamos dançar lá em casa?”

E lá íamos nós, ao som de Trini Lopez, com suas guarânias, como La Bamba, e aquele “charará, lá com dá…” que ninguém sabia direito como terminava — mas todo mundo cantava.

Depois vieram os grêmios.

No Miracemense, o GLERB (Grêmio Lítero Esportivo Rui Barbosa).

No Nossa Senhora, o GEAO (Grêmio Estudantil Alberto de Oliveira).

E os sábados nunca mais foram os mesmos.

Os salões nobres foram liberados…

e a juventude do fim dos anos sessenta ganhou um novo palco.

Era som pra todo lado:

Wilson Simonal, The Carpenters, The Beatles, Roberto Carlos, Os Incríveis, Creedence Clearwater Revival, The Mamas & the Papas…

E, como diria mais tarde o Roupa Nova, tudo ao som de Johnny Rivers — numa boa, sem “on the rocks”…

mas com um Cuba Libre escondidinho, só pra dar coragem aos mais tímidos.

Os anos setenta chegaram trazendo novidades.

Danças mais soltas, mais ousadas, como ensinava Tony Tornado com sua BR-3.

E então surgiu a Cabana do Clube XV:

luz negra, gim-tônica pra dar um ar sofisticado — meio metido a besta —

uma cervejinha no ponto…

e mais rock and roll do que as antigas canções do Roberto.

A Bossa Nova, que embalou tantos bailinhos, já se despedia.

E o samba-canção de Jamelão virava coisa de seresta.

Belos anos.

Belas tardes.

Belos tempos.

E hoje… nesse tempo novo, tão diferente — e às vezes tão duro —

a gente se sente privilegiado quando o YouTube nos oferece, a qualquer momento, aquelas músicas dos anos sessenta…

…pra gente dançar de novo,

ou simplesmente fechar os olhos e lembrar

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