Finados com Sollon

 

Memórias de Finados: O Velho Guru e a Casa Nova

Chuva fina caindo e um frio gostoso na entrada do mês de novembro, e hoje, Dia de Finados, ou seja, dia de reverenciar nossos queridos amigos e parentes que se tornaram "estrelas" lá no alto de um céu azul e cheio de cores bonitas. E desejo eu que estejam ao lado do Criador, olhando para o que está acontecendo aqui em nossa terra amada e abandonada por quem deveria dela tomar conta.

Hoje, dia consagrado a recordar e homenagear aqueles que partiram para o Oriente Eterno, eu fico aqui pensando naqueles que marcaram minha vida. Nem vou citar meus avós e meus pais, e minha mana Eliane, a quem tenho que agradecer eternamente o que fizeram para que eu chegasse aqui e me tornasse este cara que julgo ser bacana e cheio de amor para dar.

Quero hoje fazer uma volta ao tempo e reverenciar meu ídolo Ermegildo Sollon, que partiu no ano que passou, levado pela idade avançada e pela teimosia de insistir em sair de casa andando "sem compromisso e tal e coisa", como ele mesmo dizia sempre, e a tal Covid o pegou e o entregou para o Pai Celestial. E sabe por que me lembrei do Velho Guru? Nada a ver com finados, e sim com a notícia que chegou de Miracema, na semana passada: o fechamento de um dos ícones da cidade, a Casa Nova, ou o Bazar Leader, como queiram, mas também pode chamar de Leader Magazine ou Lojas Leader. Todas são uma só e juntas fazem a maior saudade de nossa terra, a veterana, setenta anos de história, que, pelo menos para Miracema, acabou e já é passado.

Um dia, já contei aqui, Ermê Sollon me acompanhou em uma viagem até nossa terrinha e o cara desabou em um choro imparável, daqueles que os jornalistas dizem ser "chorava copiosamente", e aliás eu até hoje não sei o que é "copiosamente". Ao chegarmos ao Jardim, ele comentou:

— Menino, viemos lá da Estação (já rodoviária na época), e fui enumerando em meu caderninho: Está faltando algo aqui.

E as anotações chegaram ao fim com profunda saudade e tristeza deste velho miracemense que ama a terra em que nasceu. E foi contando:

— Hotel Assis? Não tem mais. O Correio, bem, este pelo menos ganhou uma casa nova, mas não conservaram a velha casa. O Bar Pracinha sumiu e deu lugar a um supermercado. Em frente o Vavate (já era do Zé Careca), está cerrando as portas, assim como aquela esquina bonita onde o velho Bar Pracinha era lembrado por mim nas viagens por Portugal, Espanha e Itália; era a cópia fiel dos tradicionais bares destes países. Cadê a Samaritana? Cadê os bancos? Onde está o Bar Leader e a ótima comida do Angeludo? Tá bom, o Farid subiu para falar com Deus, mas nada foi feito para homenagear o "matador de fome" da minha turma.

E foi uma dezena de lamentações até chegarmos à Prefeitura, em frente ao Bar do Vicente Dutra. Ali nós dois desabamos em choro, mais copioso ainda. Faltava algo de nossa vida naquele pedaço: o assovio do Vovô Vicente e o movimento do Fórum e da Prefeitura, que já havia mudado de endereço e o prédio estava totalmente abandonado. Dizem que hoje está recuperado, ainda não vi, e o Velho Sollon jamais o verá.

Pois é, meu caro Sollon, onde quer que você esteja eu te aviso, cá de baixo: A Casa Nova, do seu zagueiro preferido, Newton da Casa Nova, não existe mais nem mesmo como Leader Magazine ou outro título qualquer. Um abraço e até breve.

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