O Rink E.C versão resumida

 Na tela da TV, o jogo corria solto. Mas, no Vaticano’s Bar, nem todo mundo estava interessado no que acontecia em Budapeste. Entre uma pinga e outra, e as inevitáveis “louras geladas”, o assunto se dividia: futebol… e resenha.

Eu, Motta e alguns parceiros — todos já rodados pela vida — estávamos grudados no jogo. Disfarçávamos com um salgado e um refrigerante, porque, afinal, três da tarde ainda não era “horário oficial” da cerveja (ou pelo menos fingíamos que não era).

E como sempre acontece, bastou a bola rolar para começarem as comparações.

— Esse time parece o Flamengo campeão do mundo! — disse Motta.

Lá do outro canto, veio o grito:

— Que nada! Isso aí é a máquina do Horta!

Mas nós, miracemenses de carteirinha, chegamos a outra conclusão.

Aquele primeiro tempo da seleção contra a Hungria me levou direto para o passado. E que passado…

Me vi novamente no Estádio Municipal, num domingo de sol quente, assistindo ao Rink — um dos times mais incríveis que já vi jogar.

Era um time de moleques… mas com alma de gigante.

Jogavam bonito, com vontade, com alegria. Perder? Quase não existia. E quando perderam pela primeira vez… acabou. O time nunca mais foi o mesmo.

Claro, comparações são sempre perigosas. Mas vou dizer uma coisa, sem medo de errar

Ver Juninho, Kaká, Ronaldinho e Luís Fabiano naquele dia foi como rever Silvinho, Emanuel, Frederico e Braizinho.

Dois quartetos de encher os olhos.

A mesma velocidade. A mesma fome de gol. A mesma vontade de jogar futebol como ele deve ser jogado: pra frente, com talento e ousadia.

Braizinho, então… parecia jogar com a bola colada no pé, no estilo Tostão. Inteligente, rápido, decisivo.

E o nosso Marconi? Volante clássico, elegante, daqueles que carregavam o piano sem fazer barulho — à moda de Falcão. Dentro de campo ou com o trompete na mão, era pura arte.

E quem viu aquele Rink jogar… viu algo especial.

Talvez por isso, quando a seleção joga daquele jeito — solta, leve, objetiva — a gente não vê só futebol.

A gente vê memória.

Vê juventude.

Vê um tempo em que o jogo era jogado com amor à camisa… e não com medo de perder.

E no meio de tudo isso, entre um lance e outro, um gole e outro, fica a certeza:

O futebol mais bonito… é aquele que a gente nunca esquece.

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