O sonho dos sonhos

          Sonhei que Estava Jogando o Jogo dos Sonhos

Era um momento sublime. O craque do interior — assim eu me julgava — entrava no maior palco futebolístico do mundo. O Maracanã lotado, e no gramado, a companhia de alguns dos mais brilhantes jogadores da bola. Ilusões e fantasias faziam o pano de fundo daquela contenda maravilhosa.

De um lado, Zico, Leandro, Raul e Júnior. Do outro, Lauro Carvalho, Milton Cabeludo, Manoel Lima e Alvinho. Feras, só feras. Escalar os times era tarefa ingrata: quem ficaria de fora? Quem ganharia vaga?

No time vermelho e preto, Zé Navalha, David, Leandro, Manoel Lima e Júnior formavam uma zaga de categoria rara. Bizuca, eterno goleiro, assumia o papel de treinador. No meio, Andrade, Ademir e Júlio distribuíam jogo para um ataque formado por Milton Cabeludo, Lauro Carvalho e Edil. Craques da terra e do céu, juntos em um mesmo sonho.

Do outro lado, Raul, Paulo Lolita, Valdir, Lula e Ataíde compunham a defesa. Geraldinho, Júlio e Geraldo, o assobiador, comandavam o meio. No ataque, Genuíno, Thiara e Chiquinho, com Alvinho improvisado na lateral. “Ficaram doze em campo”, alertou Arani. Mas era sonho, e no sonho vale tudo.

A bola ia rolar. Jorge Curi narrava o primeiro tempo, Aluísio Parente o segundo. Comentários de Chico Davi e Fernando Nascimento. Nas cabines, Sérgio Tinoco, Valdir Amaral e José Nunes da Fonseca. Era um espetáculo de vozes e memórias.

Tudo pronto. Russo apitou tão alto que acordei assustado. Eu não estava escalado. O jogo não passou de um sonho frustrado. Mas ficou a certeza: todos ali foram meus ídolos e amigos, e me fizeram feliz por várias e várias vezes.



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