Oração de um jovem triste
ACHADOS E NÃO PERDIDOS — (canções que também são orações)
Hoje eu acordei assim…
Com uma vontade meio sem nome de dizer que estava triste.
Daqueles dias em que a gente acha que precisa conversar com Deus.
Mas não.
Não estou triste.
E também não quero falar dos meus problemas com Ele.
A verdade é outra: acordei pensando em Antônio Marcos.
Esse poeta da Jovem Guarda que partiu cedo demais, mas deixou canções que, até hoje, parecem saber exatamente onde a gente guarda as coisas que não diz.
E você, que pode ser o Homem de Nazaré ou a Menina de Trança, aí do outro lado da leitura, talvez pense que eu tenho “Sonhos de Palhaço”… ou que queria, de fato, “conversar com Deus”.
Pode até ser.
Mas me diga: por quem chora a tarde?
Eu não sei.
E, pela primeira vez, não saber também me basta.
“Como vai você?”
Essas e tantas outras canções — cujos títulos eu peguei emprestados para conversar com os amigos nesta segunda-feira de calor em Campos dos Goytacazes — fazem parte da minha história.
Sou fã. Confesso. Sem defesa.
Porque tem música que não se ouve… se sente.
E quando a gente percebe, já virou parte da nossa própria memória.
Lembrei também de uma pequena “bronca” com um antigo padre, lá na nossa Igreja de Miracema.
Eu fazia parte da turma de formandos, professores do Colégio Miracemense, ele proibiu que cantássemos “Oração de um Jovem Triste” na missa de formatura.
Justo aquela.
A que os jovens haviam escolhido como tema.
Naquele dia, eu não entendi.
Guardei.
Não como mágoa… mas como quem guarda uma pergunta sem resposta.
Hoje, passou.
Está perdoado.
Porque o tempo ensina, a fé acalma… e, no fim das contas, a gente aprende que até as negativas fazem parte do caminho.
E Deus — esse com quem eu nem precisava conversar hoje — talvez tenha entendido tudo, mesmo assim.
Porque há dias em que a oração não sobe em palavras…
Ela simplesmente toca.
Como uma canção antiga,
dessas que a gente não esquece,
mesmo quando acha que esqueceu.

Comentários
Postar um comentário