Qual o seu preferido?

     

OS BANCOS DA PRAÇA

Alguns de vocês — ou talvez quase todos — lembram e sabem de cor a letra da música, sucesso de Ronnie Von, de autoria de Carlos Imperial, “A Praça”.

 Tenho certeza absoluta disso. E foi exatamente por isso que, após ler e ver as fotos postadas pela mana Eliane lá no Facebook, me peguei, sem perceber, cantarolando baixinho, aqui na minha poltrona favorita, a canção em questão.

Alguns devem estar se perguntando — especialmente os que não nos acompanham na rede social — que fotos são essas e de onde surgiu essa vontade de cantar sozinho. 

Explico.
A mana Eliane publicou imagens dos bancos do Jardim de Miracema — aqueles mesmos onde me sento sempre que por lá apareço, seja para ler o jornal ou simplesmente para deixar a mente vagar pelas lembranças da infância e da juventude.

Vi, revi, pensei… e repensei no que escrever, no que dizer, ao perceber — ao vivo ou através das fotografias — o quanto de saudade habita aqueles bancos da praça.

Saudade da Camisaria Gérson, da Fábrica de Ladrilhos, do Armazém do Pinheiro, da Usina Santa Rosa, da Casa das Máquinas, do meu amigo Ignácio Silveira, da Fábrica de Macarrão — que, felizmente, ainda resiste, firme, em pleno funcionamento.
Quando me sento ali, as lembranças — muitas já contadas por aqui — chegam sem pedir licença, e a imaginação flui, leve e generosa. 

Recordo-me de alguém, creio que tenha sido a Cintia Mercante, que certa vez me corrigiu quando afirmei que Miracema havia parado no tempo.

“Não”, disse ela, com razão. “Se tivesse parado no tempo, seria até melhor. Imagine nossa terra nos anos 40, 50 e 60… todos dizem que era uma cidade progressista. Se tivesse parado ali, teria sido maravilhoso.”

E talvez ela tenha mesmo razão.
Muitos dos que me leem agora devem sentir o coração apertar ao lembrar do primeiro beijo — talvez roubado em um desses bancos —, do primeiro amasso ali no cantinho do Rink, da primeira paquera perto do parque infantil, ou da tímida tentativa de flerte nos bancos em frente à fonte luminosa. Não é assim?

Os bancos da praça não apenas fizeram história — eles contam a história da nossa cidade.

Observem quantas eram as empresas patrocinadoras de cada banco. Agora comparem com os dias de hoje: será que ainda teríamos tantos dispostos a colaborar com o embelezamento da cidade e com o conforto de quem frequenta o jardim?

Tenho minhas dúvidas.
Nossas empresas já não possuem a mesma força — nem talvez o mesmo espírito bairrista — daqueles tempos de esplendor e fartura.

Resta-nos, então, sentar. Lembrar. E, quem sabe, deixar escapar uma lágrima silenciosa pelos dias vividos ali… com a esperança de que nossos netos, à sua maneira, também encontrem seus próprios bancos de praça — e neles construam lembranças tão bonitas quanto as que guardamos no coração.

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