Reflexões da pandemia

             Minha Gente...

Tem certos dias em que penso na minha gente.

Agora então, penso demais.

E sinto assim… todo o meu peito se apertar.

A saudade dos filhos, dos netos, das manas, dos sobrinhos…


bate cada dia mais forte.

Porque parece que acontece de repente —

e foi mesmo.

Veio um tal vírus, chegou sem pedir licença,

se instalou, e trouxe com ele esse jeito estranho

de a gente viver… sem se notar.

Não dá nem pra dizer como naquela canção,

quando eu passo no subúrbio.

Faz tempo que não ando por um lugar distante,

nem por um subúrbio legal —

nem daqui onde moro, nem das grandes cidades.

E também não dá pra dizer:

“eu, muito bem, vindo de trem de algum lugar…”

Mas dá, sim, uma certa inveja dessa gente

que segue em frente

sem nem ter com quem contar.

E isso é duro.

Muito duro.

Eu, mesmo em quarentena, reconheço:

tenho com quem contar.

Tenho com quem conversar,

tenho quem me ajude nos afazeres,

tenho amigos que me consolam quando a tristeza chega

e que me fazem companhia, ainda que pelas redes.

Mas, mesmo assim…

Às vezes volto o olhar pra minha Miracema,

minha terrinha.

E vejo o entorno da minha rua:

casas simples, cadeiras na calçada…

Como era bom —

e nós sabíamos.

Gente sentada à beira da rua,

prosa solta, família, vizinhos…

vida acontecendo sem pressa.

Não sei se na fachada estava escrito “lar”.

Mas era.

Pelas varandas, às vezes flores tristes, meio esquecidas…

Na minha casa, não.

Lá as flores eram vivas, alegres —

como minha avó Maria e minha mãe Lili,

com uma alegria que não tinha onde encostar.

Ou tinha…

e eu só não sabia.

E aí…

aí me dá uma tristeza no peito.

Dói o coração ver tanta gente sofrendo,

injustamente,

vivendo dias de incerteza.

E bate um sentimento meio amargo,

quase um despeito,

de não poder fazer mais,

de não ter como lutar.

E eu… que digo que não creio —

(ou será que creio?)

me pego pedindo a Deus.

Peço pela minha gente.

Gente bacana, gente amiga…

e também por gente que eu nem conheço.

Gente simples.

Gente humilde.

E aí…

dá uma vontade danada de chorar.

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