Esquina da Kiskina”

Não gostaria de voltar ao assunto, mas quando chegam as festas de final de ano, o que me vem à cabeça é a Kiskina Chopp Ltda., criada pelos cunhados José Carlos Rabelo, Luiz Delco Junqueira e Roberto Lagoa.

Foi um sucesso imediato.

Cheguei até a dar uma “canja” aos amigos logo na inauguração. Eu ainda trazia a experiência dos velhos tempos do Bar do Vicente Dutra e, além disso, Zé Carlos era meu patrão no escritório de contabilidade.

Foi um momento incrível para a cidade: a novidade de um bar requintado, um lugar pensado para o encontro de amigos em torno de um chope — novidade em Miracema — acompanhado de salgados bem caprichados.

Os três cunhados, porém, não conseguiram segurar o rojão de serem proprietários de um bar. Faltaram talvez a astúcia e a coragem que tiveram os irmãos Salim — Jofre, Nacib e José — que levaram adiante o Bar Pracinha, por muitos e muitos anos o melhor point da cidade.

Transformaram aquele reduto em um restaurante de alto nível, um ambiente seleto, onde caprichavam nos sanduíches e nos drinks. O Pracinha era o grande ponto de encontro da boa safra de miracemenses, fossem eles de qualquer nível financeiro.

Voltando à nossa querida — e já muito saudosa — Kiskina.

Quando saí de Miracema para tentar a sorte na imprensa campista e, claro, subir de posto no Banerj, aquele lugar passou a ser minha principal referência nas visitas à santa terrinha.

Sentava-me na esquina da Kiskina, na Rua Direita com Coronel Josino, e dali via passar meus amigos, velhos conhecidos e até aqueles que me acompanhavam nas narrações de futebol pela Rádio Princesinha.

Muitos paravam para me abraçar, conversar e ajudar a matar a saudade de Miracema.

E agora, quando chega o Natal, a saudade bate ainda mais forte.

Ali nos reuníamos todos os anos, nas vésperas das festas, para nossas prosas e confraternizações — diferentes daquelas reuniões mais formais feitas à noite em nossas casas.

Na esquina da Kiskina juntavam-se as famílias Leitão, Faver, Amaral, Machado, Oliveira, Tostes e tantas outras. Quem passava pela esquina acabava ficando por ali mesmo, como se pode ver nas fotos que guardamos.

E não posso terminar sem falar de Roney, que por muito tempo foi o grande comandante do bar mais famoso de Miracema.

Ele e sua família mantiveram o lugar como um ponto de encontro familiar, respeitoso e cheio de histórias — muitas delas impossíveis de contar por aqui.

Nem mesmo os tempos de som alto e das noites mais agitadas conseguiram tirar o brilho daquele point que me fez feliz e que serviu, praticamente, a quatro gerações de miracemenses.

Hoje, a Kiskina, assim como Zé Carlos Rabelo, Luiz Delco Junqueira e Roberto Lagoa, virou saudade.

Mas permanece viva, eternamente guardada no coração de quem viveu aqueles tempos.



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