O último sopro musical
Acabou a Música
Minha última fase musical aconteceu nos palcos dos salões de baile e nos festivais da canção. Tocava meu piston ou assumia a função de “nova descoberta” — o cantor, o crooner, como se dizia naquele tempo.
Durou pouco.
As serestas pelas ruas de Miracema eram frequentes na metade dos anos 1960. A amizade com nomes como José Felicíssimo, Fernando Nascimento, os violonistas Saulo e Romildo, além do famoso Farofinha, me levava direto ao jardim.
Ali, sob as luzes amareladas e o silêncio respeitoso das madrugadas, já tocamos algumas noites com Luiz Matos no violão, tentando “fazer um som”, como diziam os mais ousados.
Foi nesse ambiente que comecei a ser conhecido como cantor. Os convites surgiram: tocar piston, dar canja nos conjuntos da cidade — que, diga-se, eram apenas dois naquele período.
Meu professor, Zé Viana, músico da Banda Sete, tinha um conjunto que animava a Sociedade Operária, ali nas imediações do Jardim. Virei crooner por algum tempo. Tocamos ali e também no famoso Baile do Polaca — realizado na antiga fábrica de sabão da família Rizzo, na Rua do Biongo.
Tempo de alegria.
Tempo de começo de reconhecimento.
Depois, andei pelo Noroeste Fluminense e por Minas Gerais fazendo música. Até que Bebeto Alvim — nosso “Passarinho” — resolveu bancar um novo conjunto.
Formamos um grupo animado: eu no piston e na voz, Kaíto no sax, Cagiano na bateria, Breninho Perissé na guitarra e Hélio no baixo. Durou pouco, mas foi intenso. Daqueles períodos que passam rápidos, mas deixam eco.
E como toda boa história precisa de continuação…
Na próxima postagem eu conto dos festivais — e da despedida dos palcos.
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