Um craque Genuíno

 Genuíno Siqueira Magalhães: Craque da Terrinha

O mito e a comparação

Quando alguém me perguntou se o Genuíno jogou tudo aquilo que eu conto, respondi sem medo: “Tudo isto mais dez por cento.”  

Se jogasse hoje, estaria no Real Madrid com o sucesso de Cristiano Ronaldo. Mas no tempo dele, na região e no Estado do Rio, não havia atacante com seu talento e faro de gol.  

Para os mais novos, que não o viram em campo, dá para traçar paralelos:  

- Quem viu Edmundo, o Animal, pode imaginar o estilo.  

- Quem só conhece Cristiano Ronaldo, pode colocar no mesmo patamar sem receio.  

O futebol raiz

Os tempos eram outros.  

- Bola pesada, pintada a óleo para parecer branca.  

- Chuteiras de couro duro, com travas de pregos.  

- Uniformes pesados, que dobravam de peso com o suor.  

Enquanto isso, os craques da capital ganhavam pouco mais do que o que Genuíno recebia na padaria do pai ou nos negócios de farinha. O futebol não era profissão, era paixão.  

O estilo de jogo

Genuíno era fominha juramentado, como Cristiano Ronaldo: passar bola não fazia parte da agenda. Mas quando tirava um colega no pontapé, procurava até ele fazer o gol de abertura.  

- Em campo: chato, cheio de marra, mas decisivo.  

- Fora dele: bom camarada, coração generoso, amigo leal, marido exemplar da Rita,  e  hoje mora no céu 

Dois causos inesquecíveis

Caso 1 – O gol da arquibancada

No Estádio Plínio Bastos de Barros, Miracema x Operário/Palma.  

Primeiro tempo zero a zero. Quem aparece no segundo tempo? Genuíno, que estava na arquibancada, entra no lugar do Jucão.  

Resultado: fez o gol e levou a aposta. A regra era clara: quem entra no lugar do número sorteado vale.  

Caso 2 – O passe com mel e açúcar

No Campo do América, eu perdi dois gols e ele brigou comigo. Diferente do habitual, encheu-me de passes e dizia:  

“Vai lá, faz o seu, você é artilheiro.”  

Depois de tantas bolas açucaradas, marquei o gol de abertura. Ele me abraçou e disse:  

“Agora se vira, não vou te dar mais bola com mel e açúcar. Ganhei o pontapé e agora é pra valer.”  

A homenagem

Este é o Genuíno: craque dentro e fora de campo, lembrado com carinho por quem o viu jogar e celebrado como um dos maiores da terrinha.  Uma saudade!


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