Um Timaço lá em cima
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A Seleção do Céu
Este final de semana, como de costume, no Armazém, o assunto foi saudade.
Alguns amigos, amantes do futebol, queriam saber quem foi Chiquinho de Assis, recentemente falecido em Miami. Era mesmo de Miracema? A imprensa esportiva assim divulgou, e a dúvida virou conversa.
E conversa puxou memória.
Falava-se de jogadores do Americano, do Goytacaz, de campistas que partiram cedo demais. E eu, naturalmente, lembrava dos meus — os miracemenses. Cada um recordava seus ídolos, seus companheiros, seus heróis de arquibancada.
Sem perceber, começamos a montar seleções.
Times imaginários de craques que hoje jogam no céu.
E no meu pensamento surgiu um comandante à altura: Maninho, o nosso Alcir Fernandes de Oliveira, organizando a equipe lá de cima.
Comecei pelo goleiro.
Paulinho, o paduano “importado” pelo Vasquinho, que adotou Miracema como sua terra, formou família e partiu cedo demais num desastre automobilístico. Seguro, ágil, respeitado.
Na defesa do time celestial, escalei Evandro Monteiro na lateral direita. No miolo da zaga, dois estilos que se completavam: Valdir (Augusto de Souza), o Xerife, e Batista Leite, clássico e elegante. Fechando o setor, Vilmar Bastos.
No meio-campo, talento que nos deixou cedo demais: Romário Tostes, o Herança; Ariel Viana; e Silvinho, filho do Maninho, clássico e veloz, distribuindo jogo com categoria.
Na frente, Neném pela direita, Pintinho pela esquerda — e, no comando do ataque, Chiquinho, para empurrar para as redes os cruzamentos perfeitos.
Um time ideal para nossos anos 60.
Hoje, todos estrelas.
Estrelas no céu e saudade no coração.
Claro que poderíamos escalar outros times. A lista é longa. A memória às vezes falha — e a injustiça involuntária dói.
Mas do goleiro ao ponta esquerda, passando pelo treinador, deixo aqui meu reconhecimento a esses amigos da bola e da vida.
Hoje vestem outra camisa.
E jogam no Oriente Eterno. “Que lá em cima nunca falte bola e nem alegria”?
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