Vasquinho: Invicto e campeão

 Quem me lê diariamente aqui no blog logo vai imaginar que vou contar mais causos e histórias do — com licença do saudoso amigo Aloísio Parente — “nosso alegre futebol”.

Sim, claro.

Mas hoje não vou contar apenas uma história. Vou falar de um dos campeonatos mais charmosos de todo o Norte Fluminense — era assim que nossa região era chamada naqueles anos de 1960.

O campeonato juvenil voltou a ser disputado graças ao então presidente da Liga Desportiva de Miracema, Gerson de Alvim Coimbra, um dos maiores incentivadores do esporte na Santa Terrinha. Ao lado de seus companheiros da LDM, organizou vários campeonatos de altíssimo nível técnico.

Nos três que disputei, defendendo o Vasquinho Esporte Clube, do amigo Edson Barros Costa, conquistamos todos.

Nosso juvenil era terrivelmente matador.

Vencemos os três campeonatos de forma invicta, com o artilheiro do torneio, a defesa menos vazada e o ataque mais positivo.

O ataque?

Bem, esse era o nosso ponto forte.

No primeiro campeonato jogavam Thiara, Júlio, Adilson e Pintinho. No segundo chegaram Chiquinho e Cacá, e no terceiro a base se manteve — e ninguém segurou a garotada comandada pelo Bizuca.

Sim, lembro-me de praticamente todo o time.

A formação era mutável e, ano após ano, recebia reforços. Todos os garotos queriam jogar no Vasquinho, que no terceiro ano acabou sendo incorporado pelo Clube Esportivo Miracemense.

A defesa tinha Zé Navalha no gol. No ano seguinte “importamos” Paulinho, que veio do Paduano.

Luiz era o lateral-direito no primeiro ano, e David chegou para o segundo título.

Teco e Gilson formavam a zaga. Depois vieram Eduardo Piaza, Gilson foi deslocado para a lateral e, no segundo campeonato, voltou para a zaga, com Vilmar assumindo a lateral esquerda.

No meio-campo, o primeiro trio era formado por Geraldinho, Tininho e Júlio.

Na segunda conquista entrou Romário (Herança) na vaga de Tininho, que foi estudar odontologia. Chiquinho ocupou o posto de Geraldinho, chamado para o time principal, e o time ganhou ainda mais força ofensiva.

O ataque também mudou um pouco, com a chegada de Cacá Moura e a saída de Pintinho para o time principal.

Mas no primeiro ano tivemos um reforço “importado” que deu um toque de classe ao ataque: Marquinho, um velho amigo meu de Pirapetinga, que chegou e se encaixou perfeitamente no grupo.

E os adversários?

Também eram ótimos times.

O DER, de onde veio Cacá Moura; o Operário, de onde veio Herança; além do Tupã e do Miracema, tradicionais equipes da cidade.

Mas quem realmente dava trabalho era o tricolor Operário Esporte Clube, que tinha em Toninho Garrinchinha um grande craque, além de Sebastiãozinho, o goleiro Zil e outros garotos muito bons de bola.

Os times dos distritos, Paraíso e Flores, também assustavam. Chegavam ao Estádio Plínio Bastos de Barros sempre motivados e com grande torcida, e dificilmente aceitavam goleadas.

Foram anos dourados do nosso futebol.

O estádio lotava todos os domingos pela manhã e não havia um garoto na cidade que jogasse futebol e não estivesse inscrito em algum dos times da Liga Desportiva de Miracema.

Agora me digam: contei tudo ou esqueci de alguém?

Se esqueci, a memória dos amigos certamente me ajuda a completar essa história.

Porque falar daquele tempo — do nosso velho e alegre futebol — é sempre uma forma de reviver um pedaço bonito da nossa juventude.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Miracema em nós

A mesma praça?

Encontro de velhos camaradas