Caminhando e cantando
Nosso som das varandas
Caminhando pelas ruas de Campos, como faço todas as manhãs após o indispensável "papo na fila do pão" — o melhor programa do dia —, sigo com o Spotify me acompanhando. Enquanto ouvia as playlists que crio diariamente para esse fim, me flagrei pensando, sem surpresa, nos tempos dos bailinhos nas varandas da minha Miracema.
Mas vamos ao tema, para não alongar a leitura dos amigos. Enquanto andava com os fones, mergulhado na playlist "Jovem Guarda e afins", comecei a cantarolar em voz alta. Um desconhecido me interpelou:
— Deve ser muito bom caminhar com essas músicas, né mesmo? Elas nos levam de volta a um passado musical que, até hoje, não foi substituído.
E seguiu seu caminho. Pena que ele não parou; não sei seu nome, mas gostaria de reencontrá-lo para continuarmos a prosa. Aliás, aquele rápido encontro rendeu este texto. Comparativos com as músicas de hoje? Nada disso. Quero apenas mostrar que, nos anos 1960 e parte dos 70, as canções eram bem letradas e diziam muita coisa. Até certo ponto, concordo com minha filha, Gisele, quando diz que as letras do meu tempo são "bobinhas". Palavras dela. Respeito, mas retruco: e as de hoje, como as classificaremos?
"E o que você estava ouvindo?", perguntariam os amigos leitores. Ouvia Tijolinho, com Bobby de Carlo: "Você é meu tijolinho... você é meu tijolão, você é meu amorzinho e quem manda no meu coração". É verdade... realmente bobinha. Mas dizia tudo o que um jovem daqueles bailinhos precisava dizer para sua garota.
Eram "jovens tardes de domingo", sim, mas normalmente eram jovens noites de sábado, nas varandas das casas de amigos, ouvindo Trini Lopez com sua La Bamba ou Granada. Aquele disco só não furou de tanto tocar porque era muito bem feito; ouvíamos todas as faixas e repetíamos as velhas canções gravadas em ritmo acelerado.
Estavam surgindo os grandes conjuntos: Renato e Seus Blue Caps, The Fevers, Os Incríveis e tantos outros que animavam nossas noites. E Wilson Simonal, ao lado de Jorge Ben, deu o toque especial com músicas e improvisos que tomaram conta das rádios e vitrolas por este Brasil musical.
Tinha muito mais para contar, porém... tem sempre um porém. Fico por aqui, mas prometo um segundo texto com mais detalhes sobre as letras "bobinhas" da minha geração.

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