Debate: Quem e o craque?

            Meus ídolos da bola

No Armazém, um assunto antigo voltou à tona:

— Quem foi o melhor jogador que você viu jogar?

Respondi, sem titubear: — Pelé.

Veio o corte imediato:

— Pelé não vale. Fale outro.

Aquilo me fez lembrar de uma discussão parecida, anos atrás, em um programa dominical da TV Record/Campos. O saudoso Nicolau Louzada lançou a mesma pergunta — mas com regras ainda mais duras: além de Pelé, estavam fora Rivelino, Zico, Maradona e outros nomes do chamado “Top 10” do futebol mundial.

— Só valem jogadores fora dessa lista — dizia ele.

Na noite de ontem, no Armazém, hesitei.

Pensei em nomes como Zidane, Ronaldinho ou até o nosso Ronaldo, o Rei do Galo. Mas, naquele programa da Record, minha resposta foi outra — e veio carregada de emoção.

Era a primeira vez que eu colocaria meus conterrâneos no lugar que sempre achei que mereciam.

Os companheiros de bancada me olharam com surpresa quando respondi ao Louzada:

— Os melhores jogadores que vi jogar foram Braizinho, Milton Cabeludo e Ademir Chocalho.

Expliquei quem eram. Torceram o nariz. Achavam que eu estava sendo bairrista, puxando sardinha pra Miracema.

Mas o destino deu uma ajuda.

Na mesa estava um ex-goleiro do Americano, de Italva, que havia jogado com Milton Cabeludo no Porto Alegre, de Itaperuna. Não só confirmou tudo o que eu disse sobre o atacante, como ainda elogiou Ademir, contra quem jogou nos tempos de Leite Glória.

A partir dali, o clima mudou.

Quando falei de Braizinho, disse que seu futebol era genial. Arrisquei compará-lo a Tostão. O Pessanha Filho discordou, achando exagero.

E eu respondi, com a convicção de quem viu:

— Tem razão… vou corrigir. Braizinho era melhor.

E é assim que faço sempre que posso: valorizo meus ídolos.

Quem viu Lauro Carvalho, o Lauro da June, jogar na terrinha, sabe do que estou falando. Quem esteve no Estádio Municipal Plínio Bastos de Barros e viu Braizinho em ação, entende que não há exagero algum.

No futebol de hoje, afirmo sem medo: não há ninguém que se assemelhe àquele franzino craque do Rink E.C.

Milton Cabeludo era completo — chute forte, impulsão, vigor físico e uma técnica de fazer inveja a muito candidato a craque dos dias atuais.

E, olhando o nível do futebol mundial hoje, não tenho dúvidas: Milton e Ademir fariam parte da galeria dos grandes nomes do futebol internacional se atuassem nos gigantes de agora.

Sem exagero. Sem saudosismo.

Apenas a visão de quem viu esses quatro jogadores em plena forma — e teve o privilégio de sair do campo com a alma cheia e os olhos brilhando.

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