Figuras lendárias da Terrinha

Pesquisa e texto original do historiador Tadeu Miracema. 

Nossas figuras lendarias e folclóricas, como  Joel do Hospital, serão sempre lembradas, ele por ser um cidadão simples, mas quando pedem para escrever sobre ele  vem  carregado de sentido — porque falar de Joel é, no fundo, falar de uma Miracema que resiste na memória, mesmo quando o tempo insiste em apagar seus contornos.

Aproveito então a deixa. 

Fica aqui o registro. E, junto com ele, uma pequena procissão de figuras que ajudaram a dar alma à nossa cidade.
Porque toda cidade tem seus monumentos de pedra e cal… mas são aspessoas que realmente a sustentam.

Outras figuras folclóricas, dessas que marcaram gerações e permanecem vivas na lembrança de quem viu, conviveu ou simplesmente ouviu falar. 

Cada um com suas manias, seus jeitos, suas histórias — patrimônios vivos de uma época em que a vida corria mais devagar e os personagens eram reconhecidos pelo nome, pelo apelido e até pelo caminhar.

Já falei de muitos deles por aqui, mas essa turma não pode cair no esquecimento: Mané Catinga, Adão Paroquena, Bastianinha, Carlota, Juquitinha, Rudunga, Puta Merda, Dona Fulosina, Pinga Fogo, Jorginho do Saco — que não dispensava pedir uma notinha —, Bem da Sanfona, Fizim do Mocotó, Mala Pansa, Fogo Simbólico, Sebastião Venta Larga, Aparecida Ratinho, Magal de Paraíso, Paciência, que por muitos anos foi figura certa no BH, Xixico com sua inseparável gaiola de passarinho.

Nadinho com seu relógio e a hora sempre certa, Zé Lobo e seus palmitos  acompanhados de histórias que cresciam a cada narrativa, Formidável, presença cativa na Farmácia do José Tostes, Carlinhos Lanterninha — esse fala direto com quem viveu o Cine XV —, além de Joel do Hospital, Zé Tocinho, Magaiver, Tarcísio, Deliete e Sabino, reis da pipoca, Jair Polaca, Fabinho Cacetim, Ana Furica, Tarcísio Leiteiro, Napoleão, João Bagunça… e tantos outros que a memória puxa, mas às vezes o papel não alcança.

Gente que não está nos livros, mas está na história.

E aí me vem a pergunta, quase como um sussurro de calçada: será que posso incluir nessa lista o Zé do Doce?

Eu diria que sim. Sem cerimônia.

Porque não é o tamanho da fama que define um personagem — é o espaço que ele ocupa na lembrança dos outros. E, se foi visto, lembrado, contado e recontado… já faz parte.

No fim das contas, cidades são feitas disso: de nomes que viram histórias, e de histórias que viram saudade.

E enquanto houver alguém para contar, nenhum deles desaparece de verdade.

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