Seresta inesquecível
Caminhando e Cantando em Miracema
Parodiando Geraldo Vandré, digo que no sábado Miracema viveu uma noite inesquecível. A velha e a jovem guarda da cidade se reuniu diante da Igreja Matriz e saiu caminhando e cantando, seguindo a canção puxada pelos seresteiros e trovadores locais. Todos amadores, mas cheios de paixão, aceitaram o convite da Academia Miracemense de Letras para mostrar seus dotes vocais pelas ruas.
As paradas obrigatórias nas casas dos amantes da boa música lembravam Conservatória, a terra da seresta: portas e janelas abertas, moradores recebendo os músicos como velhos amigos. Não foi exatamente uma seresta, mas uma confraternização vibrante, onde samba, valsa, bolero e até música latina se misturaram em repertórios diversos, sempre acompanhados pelo coro caloroso do público, que resistiu até depois da uma da manhã.
Os meninos se encantaram e já pediram bis para o próximo ano. Entre os destaques, Rui Pereira de Barros com sua voz aveludada e explosiva; Gustavo Braga, a grande surpresa; Rodrigo Freitas, lembrando seu tio Tarciso; Raquel, que se revelou líder ao longo do desfile musical; a jovem Júlia, cheia de talento; e Geninho, representante da velha guarda.
O trajeto pelas ruas Flores e Direita só terminou por volta das duas da manhã, no Rink, tradicional quadra esportiva da cidade. Ali, músicos incansáveis sustentaram a festa com qualidade e resistência: Jader Alvim no cavaquinho, Carlinhos Moreira no bandolim, Batista no violão sete cordas e Daniel no pandeiro. Graças a eles, até um veterano fora de forma — eu mesmo — pôde cantar suas preferidas e acompanhar parceiros como Glória Vargas, que emocionou com a Ave Maria e brilhou em coro em várias canções.
Foi mais que música: foi encontro, memória e promessa de tradição. Uma noite em que Miracema se fez palco e o povo, protagonista.
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