Uma viagem musical

 Sexta-feira começa o Natal para mim. É quando inicio o ritual de arrumar as malas para mais uma viagem a Miracema — algo que, felizmente, voltou a ser rotina neste ano. E, junto com as malas, vem outra missão indispensável: preparar as playlists para as irmãs e os sobrinhos cantarem na varanda de Rafael e Isabela, na noite do dia 24 e na tarde do dia 25 de dezembro.

Claro que já fiz — ou melhor, refiz — a lista de canções natalinas. Tirei Simone, que já furou o disco por aqui, e trouxe Frank Sinatra e Louis Armstrong. Pelo menos, assim, as crianças vão conhecer dois gigantes da música mundial.

E a playlist da viagem, de ida e volta? Essa também está em construção. Começo com “Sonhos”, do Peninha. Sonhos? Sim. Vivo sonhando com dias melhores — nada a ver com a letra, mas o título já me basta e me faz bem.

Sigo adiante e encontro “Filho Único”, com Erasmo Carlos. Filho único? E as irmãs? Alguém há de perguntar. Sim, filho único — afinal, Zebinho e Lili tiveram quatro meninas e um único filho. E esse sou eu. Concordam?

A terceira escolha vem carregada de sentimento. “Toada”, na interpretação maravilhosa do Boca Livre. Os versos, que falam de amor para eles, para mim falam de outra coisa: “Tanta saudade eu já senti de Miracema...” E que coisa bonita é poder dizer que nunca vou me arrepender de ter nascido ali, naquele pedaço de terra do Noroeste Fluminense. De lá saí para uma vida aventureira, tentando ser feliz em outras plagas.

E essa escolha não foi uma “Nuvem Passageira”. A troca de Miracema por Campos dos Goytacazes foi fundamental para todos nós — eu, Marina e os filhos. Fomos e somos felizes na rua, na chuva e nas cidades por onde passamos. A saudade que fica não é do sal da terra, mas do sol escaldante da nossa.

E aí Fábio Jr. pergunta: “O que é que há?” Será o que há em Miracema? Se for, respondo em êxtase. E, como por lá não tem “Rua Ramalhete”, canto “Bandolins” sob uma “Chuva de Prata”, esperando “O Que Vai Chegar”.

Quando dezembro chega e a boa nova corre por Campos — não o dos Goytacazes, mas aquele da minha Miracema — sigo sonhando. Porque já sonhamos muito, mesmo com tudo o que perdemos pelo caminho. E continuamos em busca de novos caminhos, de um “Sol de Primavera”, para, quem sabe, enfim dizer que aprendemos a viver.

A playlist ficou pronta antes mesmo de terminar este texto. Talvez eu volte depois. Mas já adianto: tem “Bem-te-vi”, “Na Sombra de Uma Árvore”, “Como Diria Dylan”, “Caçador de Mim”... e fecho com “Só Nos Resta Viver”. E não é que resta mesmo?

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