Vendo a banda passar

 13 anos sem Erasmo Tostes

Antes da retreta, um dedo de prosa com

Erasmo Tostes, o cronista da cidade.

Foi uma manhã diferente a que vivi hoje cedo, em Miracema. Dando um trato na saudade, fui ver de perto a Banda Sete tocar na praça. O que vi — e ouvi atentamente — me deixou feliz e certo de que a tradição está mantida. E o povo, apesar de ainda tímido nos aplausos, aos poucos volta a se aproximar do velho hábito de ouvir a banda na praça.

Enquanto esperava a retreta da Banda Sete, tive um dedo de prosa com Erasmo Tostes, grande contador de histórias e apaixonado pelos dobrados. Houve também uma pequena pausa para falar de futebol, da boa vitória do Botafogo sobre o Atlético Mineiro na noite anterior, e alguns momentos de aprendizado na companhia de João Carlos Duarte.

Para ouvir a banda tocar, preferi a agradável companhia de Cremilda Tostes. E a rápida passagem de Armandinho, presidente da Câmara de Vereadores, me deu a oportunidade de lhe entregar meu artigo sobre os nomes das ruas de Miracema. O vereador ficou de estudar o assunto e, quem sabe, algo de bom possa acontecer.

Na saída, após a última música — que, aliás, não foi um dobrado, mas um sucesso do grupo sueco ABBA —, recebi um forte e afetuoso abraço do velho amigo Tequinha Mercante. Estávamos havia muito tempo sem nos encontrar, mas bastaram poucos minutos de conversa para perceber que, para a amizade verdadeira, o tempo nunca passa.

E, ao lembrar que já são 13 anos sem Erasmo Tostes, fica a certeza de que algumas pessoas jamais deixam a praça, a cidade ou a nossa memória. Continuam presentes em cada retreta, em cada conversa de calçada e em cada boa história contada entre amigos.

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