Menino Passariinho

 Hoje me veio à cabeça meu velho e saudoso amigo Luiz Alberto da Motta Alvim. Para nós, lá da terrinha, simplesmente Bebeto do Juscelino. Aqui, em Campos dos Goytacazes, ficou conhecido como Passarinho, apelido que ganhou por estas bandas e que acabou se agregando ao seu nome. Virou Bebeto Passarinho, uma doce figura, querida por todos os amigos e companheiros do Banco do Brasil.

Eu e Bebeto fomos criados naquele espaço de Miracema que costumo chamar de "Triângulo das Bermudas". Não me perguntem o porquê. Foi por ali que dividimos os mesmos sonhos, entre eles o de criar um conjunto musical que reunisse os amigos músicos, amadores, da nossa terra.

Bebeto bancou os custos iniciais e o conjunto — hoje chamado de banda — nasceu no Aero Clube de Miracema, que naquela época estava abandonado e precisando de reformas. Foi ali que ensaiamos e realizamos nossos primeiros bailes.

Nem me perguntem se era tudo muito legalizado ou não. O importante é que a turma era boa e fazia um som bem agradável. Tínhamos meu xará, o mestre das baquetas Adilson Cagiano, na bateria; Hélio, no baixo; Breninho Perissé, na guitarra; e este que vos escreve, no piston e, depois, como crooner. Um pouco mais tarde, integrou-se ao grupo um garoto talentoso no saxofone, Caíto, que deu um toque especial ao conjunto.

Foram poucos meses de duração. Eu saí para o futebol, as despesas começaram a superar as receitas e Bebeto, que não tocava nenhum instrumento — razão pela qual seu nome não aparece na formação do grupo — precisou seguir em frente. Hélio assumiu a liderança e formou o "Hélio e Seu Conjunto".

Como diziam meus contemporâneos, e hoje reconheço que tinham razão, naquela época "santo de casa não fazia milagre". Concorrer com os ótimos conjuntos da região, como Palladium, American Show e Chiquito, de Itaperuna, era uma tarefa complicada. Os melhores clubes da cidade não nos contratavam e seguimos tocando nos bailes do Polaca e do Calil, escolas de samba que promoviam festas para o público das classes C e D, buscando arrecadar recursos para custear o carnaval do ano seguinte.

E tudo não passou de um sonho. Chegar ao sucesso de Renato e Seus Blue Caps era apenas isso: um sonho de jovens dinâmicos, sonhadores e apaixonados pela música.

Abraço, Bebeto Passarinho, onde quer que você esteja.

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