O jardim... a árvore... a saudade.

 A árvore

A palmeira, guardiã desse tempo suspenso, ergue-se como quem vigia o mundo desde sempre. Suas folhas são páginas soltas, e cada sombra que ela derrama no chão é nota de rodapé das histórias que ali ficaram.

No banco, na praça, no jardim, o vento passa recolhendo lembranças, e a árvore, paciente, guarda o que o tempo tenta levar. Santo Antônio, lá de cima, com sua visão privilegiada da terra, não julga o movimento da saudade,que atravessa as léguas de estrada entre Miracema e Campos.

Ele entende.

Para quem mora no peito, a distância não existe. A luz do fim de tarde que ele retém por mais tempo nas suas paredes é bênção que se estende devagar, como um gesto que não quer terminar.

É fio invisível que costura o longe ao perto, o que partiu ao que permanece, o que falta ao que ainda pulsa.

E assim, entre raízes, santos e estradas, o mundo se sustenta nesse instante suspenso, onde a memória caminha ao lado da vida sem pressa de chegar.

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